10.08.2007

AS VEZES ENCONTRAMOS ALGO QUE FALA POR NÓS

08 de Outubro de 2007



Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender.

Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.

Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.


Não entender, do modo como falo, é um dom.

Não entender, mas não como um simples de espírito.

O bom é ser inteligente e não entender.

É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida.

É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice.


Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco.

Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector

Dedico esse poema e essa flor ao querido Daniel pelo retorno a blogosfera.

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